|
À CATA DE PROVERBIOS . . .
Quando me foi pedido pela distinta professora Doutora
Gabriela Funk da Universidade dos Açores, a minha colaboração
na ajuda à Rosa Cabral e ao Marco Machado, que vieram a este bonito
estado da Califórnia fazer uma pesquisa sobre os provérbios
açorianos para o novo adagiário, eu prontifiquei-me a ajudar
em tudo o que fosse necessário. A Rosa e o Marco chegaram
a minha casa nas vésperas da função do Espírito
Santo que teria lugar em Napa em casa dos Beirões.
Como eu sei perfeitamente que, tanto o Sr. Beirão
como a Sra. Maria das Dores, são pessoas que estão sempre
prontas a ajudar em tudo o que quer que seja e sem a esperança de
receberem medalhas ou merecidas condecorações, pedi para
levar os nossos hóspedes. Fui prontamente atendido com a voz da
Sra. Maria das Dores a dizer:
-"Credo, amigo José, nem sequer é
preciso pedir!".
Em casa destes nossos amigos encontram-se
pessoas das diferentes camadas sociais, mas com várias coisas em
comum: a amizade, a honestidade e a prontidão com que estão
sempre aptos a ajudar. E assim a Rosa e o Marco conseguiram que vários
dos seus inquéritos fossem preenchidos mesmo que algumas pessoas
tivessem que interromper os apetitosos petiscos ou a sopas que nos foram
servidas.
No dia antes, embora eles estivessem cansados
da viagem, fomos a San Francisco ao Portuguese Language Dinners, no escritório
da ilustre advogada Laura Basaloco Lapo, e aí tiveram também
a oportunidade de preencher alguns inquéritos, se bem que portugueses
haviam poucos e açorianos muitos menos . . .
Claro que a vastidão do estado da Califórnia
e do modo como a comunidade está dispersa, torna-se muito complicado
e quase impossível levar a cabo projectos desta natureza. Não
fossem a Rosa e o Marco pessoas muito comunicativas, manifestando
entusiasmo no que estavam a fazer e mostrando que os resultados que obtiveram
eram satisfatórios, talvez este projecto não tivesse o êxito
que vai ter.
Quando telefonei para o Consulado Geral de
Portugal em San Francisco, o Senhor Cônsul prontificou-se logo
a receber a nossa visita. Fomos cordialmente recebidos e o Senhor Cônsul
ficou surpreendido com a coragem destes dois jovens que se meteram a uma
obra destas sem conhecerem ninguém neste estado e só contando
com a boa vontade da nossa gente.
Levei a Rosa e o Marco aos locais que eles
teriam de contactar com algumas das outras pessoas que os ajudaram nesta
tarefa, e ainda tivemos tempo de visitar o Yosemite, onde pela primeira
vez fui ao "Glacier Point". Nunca mais esquecerei as palavras que a Rosa
exclamou ao olhar o vale e que foram a inspiração para um
dos meus poemas que, em altura própria, será publicado.
Impressionou-me a maneira correcta como um
e outro fala o Inglês, notando-se, no entanto, a influência
americana e não britânica, como antigamente. Mas o que mais
me impressionou foi a Rosa ter conduzido o meu carro desde o Yosemite até
minha casa e "parkar" o mesmo na minha "garage" depois de ter subido
o "driveway " empinado.
Como já disse, e todos nós sabemos,
a nossa comunidade está muito dispersa. Tive pena de não
ter tido mais tempo disponível, e não queria de modo algum
alterar planos que já estavam estabelecidos com outras pessoas.
No entanto ainda tiramos um fim de semana em que não havia nada
planeado, para ir a San Diego e aí contactar algumas pessoas. Tivemos
azar porque foi no fim de semana em que a filarmónica portuguesa
dessa cidade esteve na área da baía, e assim perdemos a oportunidade
de contactar um grande número de indivíduos. Mas isso ainda
se pode resolver com boa vontade.
Na minha opinião, e atendendo a todas
as dificuldades que eles encontraram, a Rosa e o Marco desempenharam
bem o seu papel, e a Doutora Gabriela Funk da Universidade dos Açores
está de parabéns pela escolha de estudantes de tal nível,
para a difícil missão que lhes foi incumbida que em última
análise se traduz num abraço entre as ondas do Atlântico
e as do Pacífico. |