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Numa certa noite fria dum dos muito rigorosos Invernos da Nova Inglaterra e mais propriamente na cidade de Cambridge, estado de Massachusetts, encontrava-se a jovem comissão responsável pelo grupo então reunida, sendo um dos pontos mais importantes para discussão, ouvir sugestões para a criação dum nome novo para o nosso Rancho, que traduzisse mais o verdadeiro sentido da nossa existência como uma verdadeira organização cultural. Talvez por tudo o que ela aprendeu durante os nove anos como aluna da Escola Portuguesa de Cambridge e Somerville sobre a nossa língua, sobre a nossa cultura, sobre os nossos valores lusíadas e pelo o seu amor por tudo o que é do nosso Portugal…nasceu o nome "Rancho Folclórico Corações Lusíadas" e entre outras seis ou sete sugestões este acabou por ser aquele que por todos os membros presentes foi o preferido e o que mais votos recebeu. Isto aconteceu praticamente há dois anos e até então o nosso grupo era conhecido como o Rancho Folclórico da Escola Portuguesa de Cambridge e Somerville. Em 1992 o senhor Amadeu Quelha, então presidente da Comissão Escolar da Escola Portuguesa de Cambridge e Somerville, resolveu deitar as mãos à obra e lançar a ideia de juntamente com os elementos directivos e também com a colaboração do corpo docente da escola, formar um Rancho Folclórico e assim, por este meio, enriquecer mais, não só a nossa existência como fonte de ensino da Língua Portuguesa, mas também através dos nossos cantares e bailados implantar nas mentes das nossas crianças e dos nossos jovens o gosto pela nossa cultura, pelos nossos costumes e pela nossa música tradicional. Houve logo pais que aderiram à nossa chamada e mesmo até vários jovens mostraram desde o início vontade de aprenderem e virem a ser um dia, elementos verdadeiros dum rancho folclórico. Alguns deles nascidos em Portugal e que para cá para os Estados Unidos tinham vindo ainda pequenitos, mas outros já cá nascidos mas com raízes bem fortes e bem ligados por meio dos seus pais e familiares ao nosso Portugal. E assim começamos dia após dia, semana após semana, ensaio após ensaio, lá se foi aprendendo, crescendo e aumentando. Mas nestas aventuras, infelizmente nem tudo nos correu como desejávamos. A grande dificuldade que nos deparou desde o início foi arranjar músicos na nossa área que estivessem na disposição de colaborar connosco, mas este não foi caso que fizesse com que a grande vontade do senhor Amadeu Quelha e dos jovens já então envolvidos, viesse a ser destruída. Gravaram-se cassetes com quarto ou cinco modas e que o grupo já dançava muito razoàvelmente e assim nos atirámos. As nossas actuações inicialmente limitaram-se apenas às várias festas anuais da nossa Escola. Depois seguiram-se mais tarde participação nas festas religiosas da paróquia de Stº. António em Cambridge, onde funcionava a nossa Escola. Aqui, o pároco Senhor Padre José S. Ferreira, que há vinte anos atrás tinha sido também um dos seus fundadores e que sempre nos deu o seu valioso apoio. Depois seguiram-se também algumas actuações em festas de alguns Clubes locais e também participação nas celebrações e desfiles do Dia de Portugal e de realçar a participação do Rancho como representante da Comunidade Portuguesa em celebrações culturais de diferentes grupos étnicos levadas a efeito nas instalações da Câmara da cidade de Cambridge e noutra ocasião ainda na da cidade de Somerville, aqui no estado de Massachusetts. Esta fase inicial prolongou-se por mais cinco anos aproximadamente e depois infelizmente começou a notar-se certo enfranquecimento principalmente da parte dos jovens por falta de motivação, pois durante todo este período de cinco anos foram sempre as mesmas quatro ou cinco modas em todas as actuações que nessa altura fazíamos e mais ainda por serem sempre acompanhados a toque de música gravada…e contra as nossas diligências veio mesmo a terminar e perdemos o nosso Rancho por um espaço de alguns anos. Há uns quatro anos aproximadamente e com a aproximação do vigéssimo aniversário da nossa Escola e do Centenário da paróquia de Santo António em Cambridge, resolvemos tentar recomeçar e ver se seria possível conseguirmos trazer de novo esta importante actividade à nossa Escola e aos nossos jovens. Primeiramente contactei alguns daqueles ex-alunos que quando mais jovens fizeram parte do nosso grupo e consegui em Junho de 2001 um grupo de sete pares, o que foi formidável e todos eles aderiram e mostraram desejo e vontade de me ajudarem nesta tentativa de recomeçar o grupo. Temos um grupo de ex-alunos e outros que ainda hoje em dia frequentam a nossa Escola, mas temos outros de outras nacionalidades que por conhecimento de outros amigos e colegas aderiram e aprenderam as nossas danças demonstrando assim certo interesse pela nossa cultura. Neste renascimento do nosso grupo tivemos grande interesse em ver se conseguiríamos arranjar um grupo de músicos que quisessem colaborar connosco e assim oferecermos aos jovens acompanhamento com música ao vivo. Assim iniciámos uma busca e conseguimos arranjar um grupo de verdadeiros amigos que desde então e alguns com bastantes sacrifícios nos têm acompanhado. O grupo presentemente tem um repertório muito mais variado. A grande maioria das nossas interpretações são todas da Região do Minho, Chula dos Encantos, Cana Verde, Vira de Roda, Cana Verde do Galo, o "S", Passou Passou, Ritinha, Cana Verde de Soajo, Chula Velha, Vira Cruzado, Serrinha, Vira das Camponesas, Rosinha, Vira de Oito. Temos ainda o Baile Furado de origem açoriana e outras duas criações do nosso Rancho intituladas o "Vira de Cambridge" e o "Baile Novo". O ensaiador é o tocador de concertina o nosso amigo o Senhor João Branco e a coreografia está a cargo de outros três dos jovens mais velhos do nosso Rancho que juntamente com o senhor João Branco, o "Mestre", ajudam e por eles se encontram distribuidas as tarefas de trabalharem com os mais jovens, com aqueles que agoram se encontram a dar os primeiros passos e entre si também escolhem e criam as suas e novas maneiras das nossas danças e são eles presentemente a Sameira Veloso, a Melanie Soares e o Sérgio Cruz. Também devemos muito à participação e ajuda de outros dois elementos que foram chave importante no reatamento do grupo que foi a Helena Silva e o Hugo Pereira que presentemente já não fazem parte do Rancho. Os nossos objectivos principais são os seguintes: primeiramente incutir na mente dos mais jovens o interesse e o gosto pela nossa Cultura, pelos nossos Costumes, pela arte dos nossos Bailados e pela nossa Música. Em segundo lugar sermos os portadores da nossa cultura e costumes a todos aqueles que assistirem aonde quer que seja que as nossas actuações nos levem, comunidades portuguesas e não só. Em terceiro lugar darmos oportunidade aos nossos jovens de poderem contactar, aprenderem e ao mesmo tempo estabelecermos um intercâmbio com grupos de outras áreas cá dos Estados Unidos e representantes do folclore de outras regiões do nosso país de origem. Em quarto lugar, encontramo-nos a trabalhar com grande interesse para conseguirmos levar o grupo em 2006 aos Açores e ao Minho e assim oferecer a todos os nossos elementos, aqueles que dançam e aos nossos dedicados músicos a oportunidade de levá-los ao encontro das raízes desta cultura que vivemos, interpretamos e oferecemos nas nossas actuações a todos aqueles que cá vivem longe do nosso Portugal e terem assim todos a oportunidade de observarem, sentirem e viverem o valor e a riqueza do Folclore Minhoto, e por meio dele aprenderem sobre a cultura e valia dos nossos costumes. É nosso grande interesse em continuarmos a trabalhar sempre e ajudar os nossos jovens em manter esta chama bem acesa e fazer com que esta força cultural se mantenha e se propague por segundas e terceiras gerações e assim darmos o nosso contributo para que a nossa Língua, a nossa Cultura e os nossos Costumes se mantenham bem vivos neste nosso país de acolhimento. Aqui em Cambridge somos um bom exemplo. Aqui, onde existe uma não muito grande comunidade portuguesa, temos elementos que foram no passado activos membros da escola portuguesa, membros do nosso grupo folclórico, muitos deles já nascidos cá nos Estados Unidos e agora voltaram e encontram-se de novo connosco. Alguns na sua vida escolar, outros frequentando ainda cursos universitários e outros ainda com cursos completos e já trabalhando nos seus ramos profissionais, outros já casados e com filhos, voltaram e aqui se encontram dando o seu contributo para que sigamos sempre em frente e, que além de serem poucos, teimam em mostrar aonde quer que seja, aquilo que sentem em transmitir o orgulho e a vaidade que lhes vai no íntimo em serem portugueses ou descendentes de portugueses e assim ajudando para que manifestações desta natureza sirvam sempre para atrair novos elementos a virem juntar-se a nós. Sérgio Soares Coordenador. |